quinta-feira, 18 de outubro de 2012
Ruído Português
Quando te sentas e tentas interiorizar o mundo, tudo pode acontecer.
Ouves o mais profundo silêncio. Uma explosão. Queixumes. Risos.
Eu ouço ruído. Conversas indistintas e fúteis abafadas pelas máquinas. Tosse constante. Gritos mascarados de gargalhadas. Choro dissimulado em catarro. Um pobre doente, o mundo. O meu mundo.
As pessoas do meu mundo. Umas, cabisbaixas, ensimesmadas na busca de uma solução utópica. Outras, revolucionárias, ondas que tentam empurrar o rochedo para fora do mar. Os vendavais diários derrubam a esperança e as respostas surgem com a regularidade de um eclipse. Um eclipse. Total e duradouro.
Aguardar. Aguentar. Agoniar. Ansiar.
terça-feira, 16 de outubro de 2012
A Solidão que enche o Ser
O Artista está sempre
sozinho.
É a Solidão que o
caracteriza.
Angústia do silêncio
ouvida em todos os tormentos.
Ao olhar uma parede,
é a Sua alva cor que
vê.
Ao expelir o fumo
nicotinal,
são as Suas palavras
que lê.
Sem a Solidão, o
Artista é apenas…
… humano.
A sofreguidão que faz
tremer a caneta e a
dor latente são
poéticas.
Nada é banal.
Nada é comum.
Só assim ele consegue
ser.
Sentir não é mais do
que o
suave
beijo
da Solidão.
E viver é apenas o Seu
abraço.
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