segunda-feira, 28 de maio de 2012

O Coelho e o cortador de Relvas

           Era uma vez, num país longínquo e esquecido, um Coelho que vivia num belo palácio, rodeado de jardins muito belos. Todos os dias, o Coelho falava com um grupo de animais, cujas responsabilidades eram resolver os problemas que surgiam, não só na casa, mas também no país. É que este Coelho governava aquela terra longínqua. De todos os animais, ele conversava bastante com um Grilo e uma Coruja. 
          Um dia, o Coelho acordou e reparou que a Relva dos seus jardins estava cada vez maior, ameaçando até cobrir o seu palácio. Muito preocupado, chamou os seus conselheiros mais próximos. O Grilo, com o seu discurso articulado e calmo, agradeceu a questão e salientou que o melhor seria não tomar atitudes precipitadas, pois a sombra gerada pela Relva podia não ser assim tão má; já a Coruja começou a abanar as asas e a dizer que estava contente por o Coelho a ter chamado para ajudar a resolver tal questão. Na verdade, a Coruja pensava ter perdido todo o seu poder para o Grilo e estava deliciada por poder dizer o que pensava.
O Coelho ouviu ambos e, perante a ineficácia dos seus argumentos, decidiu tratar pessoalmente do assunto.
Foi até à sala de manutenção do palácio e escolheu o maior cortador de Relvas que encontrou. Decidido, encaminhou-se para os jardins do palácio e ligou o cortador. 
          Qual não foi o seu espanto quando a Relva se dirigiu a ele, dizendo:
          - Coelho, não quero acreditar que me vais cortar. Não depois de todas as vezes que me usaste para te deitares a aproveitar o sol, depois de todos os piqueniques que fizeste aqui com os nossos amigos, depois de tudo que passamos...
          O Coelho ficou comovido com as recordações que tinha da Relva, mas estava preocupado com o desaparecimento do seu palácio. Depois de algum tempo a pensar, enquanto olhava para a Relva e para o palácio (o que ainda conseguia vislumbrar dele), o Coelho decidiu cortar a Relva e disse:
          - Relva, somos muito amigos, mas entre o meu palácio e tu, tenho de optar pelo palácio.
          E assim foi. Cortou todas as Relvas e substituiu-as por um piso sintético.
         O Coelho continuou no palácio, mas sempre que olhava para os jardins, lembrava-se das Relvas que lá estiveram e derramava uma lágrima.   

terça-feira, 8 de maio de 2012

Locais

A chuva canta,
à espera que a guitarra, pousada numa mesa,
a acompanhe.

Aqui, os homens atropelam-se na 
busca
do minuto perdido.

Fugir. 
Partir. 

Embarcar sem conhecer o
destino.
Uma ilha? Um continente?
Distante ou apenas diferente,
capaz de sacudir, 
esmurrar,
esventrar.

Ali, 
Sal, 
Cor,
Vislumbre dourado da Vida.