Era uma vez, num país longínquo e esquecido, um Coelho que vivia num belo palácio, rodeado de jardins muito belos. Todos os dias, o Coelho falava com um grupo de animais, cujas responsabilidades eram resolver os problemas que surgiam, não só na casa, mas também no país. É que este Coelho governava aquela terra longínqua. De todos os animais, ele conversava bastante com um Grilo e uma Coruja.
Um dia, o Coelho acordou e reparou que a Relva dos seus jardins estava cada vez maior, ameaçando até cobrir o seu palácio. Muito preocupado, chamou os seus conselheiros mais próximos. O Grilo, com o seu discurso articulado e calmo, agradeceu a questão e salientou que o melhor seria não tomar atitudes precipitadas, pois a sombra gerada pela Relva podia não ser assim tão má; já a Coruja começou a abanar as asas e a dizer que estava contente por o Coelho a ter chamado para ajudar a resolver tal questão. Na verdade, a Coruja pensava ter perdido todo o seu poder para o Grilo e estava deliciada por poder dizer o que pensava.
O Coelho ouviu ambos e, perante a ineficácia dos seus argumentos, decidiu tratar pessoalmente do assunto.
Foi até à sala de manutenção do palácio e escolheu o maior cortador de Relvas que encontrou. Decidido, encaminhou-se para os jardins do palácio e ligou o cortador.
Qual não foi o seu espanto quando a Relva se dirigiu a ele, dizendo:
- Coelho, não quero acreditar que me vais cortar. Não depois de todas as vezes que me usaste para te deitares a aproveitar o sol, depois de todos os piqueniques que fizeste aqui com os nossos amigos, depois de tudo que passamos...
O Coelho ficou comovido com as recordações que tinha da Relva, mas estava preocupado com o desaparecimento do seu palácio. Depois de algum tempo a pensar, enquanto olhava para a Relva e para o palácio (o que ainda conseguia vislumbrar dele), o Coelho decidiu cortar a Relva e disse:
- Relva, somos muito amigos, mas entre o meu palácio e tu, tenho de optar pelo palácio.
E assim foi. Cortou todas as Relvas e substituiu-as por um piso sintético.
O Coelho continuou no palácio, mas sempre que olhava para os jardins, lembrava-se das Relvas que lá estiveram e derramava uma lágrima.
Noutros tempos o resolução seria fácil. O Coelho retirava a relva e mandava fazer 3 estradas, 5 pontes, 10 lagos e um centro comercial no jardim do palácio. Se não houvesse fundos suficientes, pedia emprestado ao reino vizinho e dizia "depois eu morro e alguém há-de vir e pagar".
ResponderEliminarQuanto à Relva retirada, também teria um destino certo: ia para o palácio ao lado, e continuava a crescer feliz da vida, longe do palácio principal. Agora já não é assim.