quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A muda abertura de um Camino breve



O concerto dos The Black Keys no Pavilhão Atlântico foi bom. Competente. Profissional. E breve. Demasiado breve para uma banda com mais de dez anos. A produção foi quase imaculada. O live feed não reproduziu simplesmente o que se passava em palco. Reflexos, cores e espelhos serviram para levar o público a estar atento ao que passava nas telas. Também o trabalho do VJ foi alvo de atenção. Montagens, baterias e imagens do El Camino na música mais aguardada da noite, todas bem conseguidas. Notaram-se sem se sobreporem aos heróis da noite.
Dan e Patrick foram enérgicos como expectável, embora Auerbach não merecesse a traição do microfone na abertura explosiva de Howlin’ for you. Nem o público.
O blues e o rock estiveram bem representados no poder da cadência e na gritaria prantosa da guitarra. Os sons mais comerciais de El Camino e Brothers animaram uma sala que provou estar lá para ouvir isso mesmo. El Camino e pouco mais. A roupagem em Sinister Kid foi quase ignorada, Thickfreakness levou alguns a mexer, fruto das ordens do riff e só I Got Mine, a última música apresentada, teve a devida apoteose (musical e visual) por parte da massa maioritariamente teen que encheu a plateia do Atlântico.
Ficam na memória, além das acima referidas, Little Black Submarines, Next Girl, Gold on the Ceiling, Everlasting Light (graças à bola de cristal e ao ambiente de bar que criou) e, claro, Lonely Boy. Uma das grandes ausências foi Have Love Will Travel, engolida (talvez) pela necessidade de respeitar a duração do concerto. Noventa minutos são escassos para uma banda que se estreava nos nossos palcos. Apesar da promessa de voltar, o público português merecia mais esta noite, não numa próxima.
Apesar das inúmeras tentativas, o duo americano não incorpora nem transmite uma imagem de entertainer. Não prima pela criação de empatia com o público. Objetos lusos lançados para o palco foram ignorados, a saída de palco não correspondeu ao discurso que a antecedeu. Mas a função dos The Black Keys foi inteiramente cumprida: trazer a eletricidade do Rock n’ Roll mesclado com a melancolia do Blues ao público português. 
Quanto aos The Macabees, tentaram esforçadamente passar uma sonoridade que está moribunda. E à qual nada acrescentaram.

Texto publicado em http://p3.publico.pt/cultura/mp3/5606/black-keys-competentes-e-profissionais a 28/11/2012


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