quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Oito temporadas

Os meus vizinhos passam a vida em casa, a festejar. Ou então, malevolamente, anotaram as minhas rotinas e sabem sempre quando começar a festa. Mas não era preciso tanto. Qualquer pessoa sabe que depois da meia-noite (ou uma da manhã) nos dias úteis, os seres que abraçaram o mundo do trabalho recuperam forças para o combate do dia seguinte.

Eles não.

Não precisam.

Embora estudantes universitários (suponho), não são afectados pelo vírus examinis, tão comum como a gripe neste frio mês de Janeiro.
A verdade é que estes jovens induziram-me a uma analepse mental.
Quase no fim da vida dos escudos, frequentar o ensino superior foi a escolha lógica para quem queria transmitir e aprofundar conhecimentos da língua (leia-se literatura) portuguesa.
Mas a Universidade é, sem dúvida, o local certo para descobrir a vida (a verdadeira, a real).
Podemos estabelecer várias comparações:

1 - Com o mundo empresarial: Nós somos técnicos de vendas e os excelsos professores são os patrões. Temos um contrato por objectivos e precisamos alcançá-los para conseguir um salário razoável;

2- Com o mundo político: Quem pensar que as AE só servem para organizar festas, não sabe como funcionavam há algum tempo atrás. As Assembleias Gerais eram transformadas em debates políticos, onde o conhecimento semântico era essencial e, tal como os Governos, éramos sempre alvos de ataques orquestrados pela esquerda; O mundo académico (não sei se ainda existe...) também tem comparações com a política: Lutas pelo poder (?), interesses que sobrepõem amizade, jogos de bastidores. Mas aqui não existem vantagens, não existem estatutos especiais (apenas em algumas mentes...);

3- Com o mundo afectivo: As relações de amizade são, geralmente, como na vida real, movidas por interesse. As relações amorosas... demasiado complicadas, assim como na vida real.

Conclusão: A vida universitária é fútil e desinteressante.
Errado.

Sempre que questiono o motivo de oito temporadas, lembro-me das noites (nunca) passadas com alguns verdadeiros académicos, que se tornaram Amigos; dos elogios em pleno congresso que embargavam a voz; das incansáveis e pacientes colegas de curso que facultavam os apontamentos; dos laços criados a lutar por um objectivo em comum; do Amor... E, claro, dos copos inspiradores nos restaurantes e bares da Invicta.

Assim se prepara um jovem para o mundo real. Não deve demorar tanto tempo como eu. Mas é necessário assimilar bem os conhecimentos antes de partir para o mundo real.

Espero que os meus vizinhos não passem ao lado desta experiência, senão temo por eles.

E pelo país.

E por mim, que preciso de uma boa noite de sono.

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