Curiosamente, vinte anos após o espectacular Verão do Bryan Adams, foram-me apresentados os senhores Hetfield, Young, Harris, Dickinson, Hammett, para citar apenas alguns. Para um miúdo cujo primeiro contacto com o rock chegara em formato vinil (vinis dos Beatles perdidos entretanto), este novo som era um grito de raiva contra um mundo que ainda não parecia tão cru e isento de lógica. Mas gostei.
Era a época de Milli Vanilli, Roxette, Onda Choc e Ministars. Causava admiração um rapazito com uma t-shirt de "Blow up tour Video" rodeado de outros que falavam dos jogos de futebol e de como as colegas eram chatas.
Tudo mudaria alguns anos mais tarde. O grunge tratou disso. Todos conheciam Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden. Apareceram os Green Day e os Offspring, numa tentativa de reavivar o punk do final dos anos 70. Já era "fixe" considerar o mundo como podre e a existência como algo sofrível. Odiar o poder instituído era regra. Sentia-me, finalmente, como "mais um". Noutros campos, "Killing In The Name" tornava-se um hino político, Kurt era a face de uma geração. Mesmo depois de 1994.
Eu vivia no "Black Album", passeava pelo "Master" ou pelo "Justice". Claro, não esquecia o "Number of the Beast" nem "Thunderstruck".
Mais ou menos nesta altura, a rebeldia da adolescência embrenhou-me no manto da escuridão do metal. Deicide, Cradle of Filth, Dimmu Borgir, Cannibal Corpse. Por um lado, a velocidade de execução combinava com uma necessidade de purgar rapidamente os excessos de adrenalina. Por outro, a melódica misantropia encontrava em mim um atento receptor. Foi uma fase curta, mas intensa.
Poucos anos mais tarde, tornou-se importante para mim perceber como tudo tinha surgido. E assim revelaram-se os clássicos. Hendrix, Zeppelin, Doors, Pistols, Stones, Sabbath. Neles residia a essência do Rock e do Punk. Naqueles álbuns estava tudo o que queria ouvir. Aliados aos eternos Metallica, Maiden e aos discípulos Pearl Jam ou Nirvana, estava criada a base da banda sonora que me acompanharia até hoje.
"Twenty" fez-me recordar tudo isto. A história de um grupo de tipos que se junta pelo amor à música reavivou o valor que sempre dei à Música. Porque Ela sempre me acompanhou, me compreendeu, me explicou o mundo. Talvez não seja a minha "only friend until the end", mas é uma das mais importantes e presentes. Neste preciso momento, os dedos que viajam no teclado obedecem o ritmo da "Kashmir". Só por isso...
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